Turbulência nos mercados

O resultado das eleições presidenciais de 2026 provocou uma onda de pessimismo nos mercados financeiros, tanto no Brasil quanto no exterior. Logo após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, os ativos brasileiros registraram quedas acentuadas, revertendo o otimismo que havia impulsionado a Bolsa e valorizado o real nas semanas que antecederam o pleito.

O principal termômetro do mercado brasileiro no exterior, o fundo de índice (ETF) EWZ, despencou cerca de 26% nas negociações pré-mercado. Esse movimento reflete a preocupação dos investidores internacionais com a incerteza sobre a política econômica que será adotada a partir de 2027, especialmente no que tange ao equilíbrio das contas públicas.

Queda das gigantes

As ações de grandes empresas brasileiras listadas em Nova York foram as mais atingidas. Instituições financeiras como Bradesco e Itaú registraram quedas próximas a 30% na pré-abertura, enquanto a Petrobras viu seus papéis recuarem mais de 24%. O setor petroquímico também sofreu, com a Braskem apresentando desvalorização superior a 30%.

O mercado de juros futuros também sentiu o impacto, com gestores precificando uma alta superior a 100 pontos-base nos contratos de DI para 2029. Essa reação indica que o mercado está exigindo um prêmio de risco maior para financiar a dívida brasileira, diante do temor de que o novo governo possa flexibilizar as regras fiscais.

Expectativa por sinalizações

Analistas do mercado financeiro afirmam que a reação negativa não é necessariamente um atestado de recessão, mas sim uma resposta à falta de clareza sobre o ajuste fiscal. O setor empresarial, embora reconheça o alívio institucional com o fim do processo eleitoral, tem cobrado de forma enfática medidas concretas para conter o déficit público.

O desafio para o governo eleito será, portanto, acalmar os ânimos dos investidores através da escolha de uma equipe econômica técnica e comprometida com a responsabilidade fiscal. A conciliação nacional e a apresentação de um plano de gastos eficiente serão cruciais para reverter a desconfiança que tomou conta dos pregões logo após o anúncio dos resultados.